Barco de Arte Xávega “Virgem da Nazaré”




Embarcação de Arte Xávega “Virgem da Nazaré”
Tipo de pesca: Pesca local com rede de arte xávega
Autor: calafate António Luís Júnior, 1984
Miniatura (escala 1/2,5): alt- 104xlar. 96,5 x comp. 191; boca 86 cm, pontal 32,5 cm
Madeira. Cores: vermelho, branco, azul e preto
MDJM inv. 1090 Etn.



Miniatura de embarcação tradicional da Nazaré, com remate da proa em forma de bico elevado e pontiagudo, popa de painel ou cortada, fundo chato. Sobre retângulo preto, a letras brancas, o número de matrícula "N943C". Na ré, a letras pretas, a denominação do barco "Virgem da Nazaré".

O registo do original desta embarcação data de 1924, vindo a ser abatida em 21 de abril de 1938. Tem as cores de Alberto Murraças Remeloso (vulgo "Alberto da Cochela") que, após a morte do filho, passou a ser preto e branco.
Essa embarcação original teria as seguintes dimensões: comp. 460 cm; boca 244 cm; pontal 89 cm; ton. bruta 2,497t.
Navegava a remos e tinha de lotação máxima 7 e mínima 3 tripulantes.

A pesca com rede de arte xávega foi um dos mais antigos e característicos processos de pesca artesanal que, durante anos, sobretudo na primavera e no verão, marcou a atividade piscatória na Nazaré.
Os elementos essenciais a este tipo de pesca incluíam a embarcação própria, cuja proa em bico elevado facilitava a entrada na ondulação; a rede; a companha; os “lances” ou “lanços” e o alar da rede.
A rede era transportada pela embarcação e colocada no mar nos vários “lances” (efetuados em “mares” bem conhecidos dos pescadores e por eles próprios definidos a partir dos enfiamentos dos “sinais de terra” e “de mar”). Hora e meia depois, iniciava-se o “alar da rede” - duas filas de homens e mulheres puxavam as cordas e arrastavam o “saco” pela areia acima.
Em “xalavares” ou “lavadeiras”, o peixe era depois transportado para a lota que, até aos anos 1950, se localizou na própria praia.

Hoje, este tipo de “pesca de arrasto” já não se realiza na Nazaré, embora se continue a praticar em algumas poucas praias da costa portuguesa (Vieira, Mira, Costa da Caparica,...), com especificidades que variam de região para região. 


Algumas fotografias ilustrativas deste tipo de pesca na Nazaré podem ser consultadas em MatrizNet.

Álvaro Laborinho. MDJM inv. 1690 Fot.
 
MDJM inv. 86 BPI